
Navegamos por rios aparentemente iguais, sob céus que mudam de cor e de forma. O tempo voa como numa viagem ou numa experiência boa que vivemos. Nestas ocasiões a passagem do tempo é tão perceptível. Da mesma forma, o tempo altera formas e cores de maneira lenta e gradual. A fotografia é um recorte desse mesmo tempo. Registro de um momento, sem antes ou depois; apenas um momento. É uma narrativa visual composta unicamente pelo o que é captado através da luz. Ainda assim, percebemos o tempo contido nela. E esta passagem do tempo, a transformação contínua continua a nos questionar se ainda somos os mesmos de um tempo passado ou se navegamos pelas mesmas águas daquele mesmo rio. São milhares de questionamento que nos levam a refletir sobre o que há além do que se vê. Afinal, a vida cada vez mais nos mostra o eterno devir.
O homem passa devastando terras e arranhando céus. Ele ainda é o mesmo? A terra, céu e homem; o tempo permite que sejam os mesmos? É o ritual de passagem que concretizamos. Cortamos o tempo atravessando um céu que não é mais aquele de nossa terra natal. Atrás de uma profecia desconhecida que seguimos em busca de horizontes indefinitos na linha de tempo que buscamos.
Através desta narrativa visual composta por fotografias a serem exposta na instalação de parede, pretendo trabalhar conceitos como tempo, passagem e o devir neste processo. A repetição de algumas fotografias questiona se o que é mostrado é o mesmo em cada unidade. E questiona o que Platão definiu de Movimento de Alteração, onde uma determinada coisa, parada no lugar em que está, vem a envelhecer ou de negra fica branca sem que haja movimentos no espaço-tempo. O que as diferencias? O expectador fará a sua leitura.


