domingo, 28 de novembro de 2010

Tempo repouso tempo


Navegamos por rios aparentemente iguais, sob céus que mudam de cor e de forma. O tempo voa como numa viagem ou numa experiência boa que vivemos. Nestas ocasiões a passagem do tempo é tão perceptível. Da mesma forma, o tempo altera formas e cores de maneira lenta e gradual. A fotografia é um recorte desse mesmo tempo. Registro de um momento, sem antes ou depois; apenas um momento. É uma narrativa visual composta unicamente pelo o que é captado através da luz. Ainda assim, percebemos o tempo contido nela. E esta passagem do tempo, a transformação contínua continua a nos questionar se ainda somos os mesmos de um tempo passado ou se navegamos pelas mesmas águas daquele mesmo rio. São milhares de questionamento que nos levam a refletir sobre o que há além do que se vê. Afinal, a vida cada vez mais nos mostra o eterno devir.

O homem passa devastando terras e arranhando céus. Ele ainda é o mesmo? A terra, céu e homem; o tempo permite que sejam os mesmos? É o ritual de passagem que concretizamos. Cortamos o tempo atravessando um céu que não é mais aquele de nossa terra natal. Atrás de uma profecia desconhecida que seguimos em busca de horizontes indefinitos na linha de tempo que buscamos.

Através desta narrativa visual composta por fotografias a serem exposta na instalação de parede, pretendo trabalhar conceitos como tempo, passagem e o devir neste processo. A repetição de algumas fotografias questiona se o que é mostrado é o mesmo em cada unidade. E questiona o que Platão definiu de Movimento de Alteração, onde uma determinada coisa, parada no lugar em que está, vem a envelhecer ou de negra fica branca sem que haja movimentos no espaço-tempo. O que as diferencias? O expectador fará a sua leitura.

Manifeste-se

A consciência individual grita, ou melhor, deveria gritar.

Porque como todos sabem, nem tudo que deveria ser é. Se a consciência gritasse na mente de cada ser (dito racional), talvez viveríamos numa sociedade melhor.

Tentando traçar uma lógica sobre o quanto todos nós estamos errados, vamos começar pelo princípio de que os próprios 'marginalizados' não se manifestam contra isto. Pessoas vivem a margem da sociedade, num estado de vida caótico, se

Até quando vamos nos esconder atrás de milhões de motivos para justificar nossa indiferença em relação ao restante da sociedade?m condições mínimas de um dia poder sair desta condição. Considerando que esta pessoa, não teve acesso à uma educação básica. Então, este fulano vive a realidade cruel do qual muitos ignoram e poucos se manifestam. Vive assim sem muitas vezes tomar consciência disso.

Sendo assim, me pergunto: Todas as dificuldades vivenciadas são motivo para justificar a ausência de pensamento crítico, de manifestação, de discussões ou qualquer de coisa que seja sinônimo?

"VIVA A MENTIRA!". Esta simples

frase ironiza o que estamos vivendo: uma mentira. Mentira de que podemos mudar a sociedade doando dinheiro pro Criança Esperança, a mentira que passa todos os dias na televisão. E outras infinitas feitas nas eleições.

A consciência individual tem que gritar na mente de cada um. E devemos contribuir para isto. Vamos nos unir, manifestar de qualquer forma; seja ativa/passivamente, artisticamente. Vamos olhar para sociedade não só criticando-a, mas tentando melhorá-la de algum modo. Vamos distribuir cultura, alegria, flores, sorrisos e abraços.

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P.S.: As fotografias aqui expostas são resultados de uma manifestação pacífica e artística realizada no dia 12 de Janeiro de 2010, no dia do aniversário de Belém.